Nesse sábado, aconteceu o lançamento do livro “História da Moda no Brasil: das influências às autorreferências”, na cidade sede da Chico Rei, Juiz de Fora. Depois de um processo longo, que durou quatro anos, o historiador João Braga, em parceria com o jornalista e escritor Luis André do Prado, tiveram como produto final um livro riquíssimo, não apenas em conteúdo escrito, mas em imagens e qualidade.
Durante o processo de pesquisa e entrevistas, João e André produziram com apoio da TV Cultura um documentário, dividido em quatro programas, sobre a moda e identidade de moda no Brasil. O primeiro programa, exibido durante o lançamento, traz nomes como Contanza Pascolato, Regina Guerreiro, o próprio João Braga, Glória Kalil, Jun Nakao, Ronaldo Fraga, entre outros, falando sobre a identidade controversa da moda brasileira. Os quatro programas, reunidos em um único DVD, foram a melhor surpresa do lançamento, onde os presentes receberam a cópia que não será distribuída de nenhuma outra forma. Coisa linda!
O coordenador da Pós-graduação em Moda, Cultura de Moda e Arte da Universidade Federal de Juiz de Fora, Afonso Rodrigues, ajudou com a pesquisa e acervo de imagens. Afonso disse que “o livro é um divisor de águas no estudo de moda no Brasil. Levamos quatro anos entre pesquisa e produção do livro e o resultado é irretocável”.
Luís André nos explicou um pouco mais sobre o desenvolvimento do livro enciclopédia: “A primeira parte da preparação do livro foi uma pesquisa bibliográfica, e só então partimos para a fonte primaria como as entrevistas, em busca da história oral. Tínhamos também a preocupação com a história das famílias, o que usavam e o que foi retratado nas fotos, casos… O livro pretende ser um grande painel da moda brasileira.” João completa: “A moda não é autorreferente. Moda reflete política, religião, economia, sociedade… A história da roupa é capaz de contar a história da história.”
Sobre seus entrevistados, João destaca a entrevista que fizeram com Clodovil, ícone da moda brasileira, que mais tarde se enveredou pela a política. “Clodovil estava sensibilizado com sua luta contra o câncer, e nossa entrevista aconteceu pouco tempo antes de seu falecimento. Além de seu depoimento rico em informações, Clodovil fez uma espécie de protesto, dizendo que era bom ter o material impresso porque a memória do Brasil seria curta. ‘No Brasil as pessoas esquecem muito rápido, se é dado como morto é esquecido quase que de imediato’ e terminou de maneira poética sua participação no livro”, disse o historiador.
Para os estudiosos, ou curiosos, o livro é, imediatamente, o must have do conhecimento literário, que dividido em partes, traz o depoimento escrito de grandes nomes da história geral do país.




