8 de julho de 2011

O Lado Oculto da Lua

B

Se os meninos do – Blog Chico Rei – já falaram sobre o filme Transformers, nós d´ À Moda do Rei  não vamos deixar passar a sessão pipoca, né? Assisti ao filme ontem à noite e só tenho uma coisa pra dizer: O filme é *ODA, mas…

Seguinte macacada, existem várias perspectivas para o mesmo filme, nas quais eu vario minha opinião entre excelente e porcaria. Calma, calma, não é que eu diga que o filme é perfeito ou imprestável em qualquer aspecto, é que enquanto alguns aspectos do filme mereceriam o Oscar, outras são simplesmente inacreditáveis. Comecemos a “análise”, pois:

O enredo. Ô gente, é um filme de ação, com efeitos visuais incríveis, não vamos exigir de um filme de explosão o contexto E texto de filme de Woody Allen, né? O enredo é bom naquilo que se propõe, nada a mais, ou a menos. A contextualização de época e locações só deixa a coisa ainda mais legal. As associações com o evento da chegada do homem à Lua e com a catástrofe de Chernobyl deixam tudo ainda mais interessante, e dão aquele toque surreal de “realidade e possibilidade” que a gente adora ver em filmes dessa estirpe. A verdade, é que a gente ama mentira, e adora ser enganado, caso contrário não iríamos ao cinema, é ou num é? Ao fim, acho que deve se dar mérito a quem tem mérito e não procurar pêlo em ovo: Não adianta tentar achar Shakespeare em um filme que tem por princípio um único objetivo, que é o de destruir o máximo possível de sets.

Filmasso. Se é pra cumprir o papel de blockbuster o filme faz o papel muitíssimo bem. Sonoplastia fantástica, fotografia hiper bem pensada, enredo sem pé nem cabeça e por isso alucinante… Pagaria o ingresso mais umas três vezes, sem chiar. Confesso que não vi o filme em 3D, confessando também que eu tenho um ligeiro preconceito com a tecnologia (eu fico tontíssima, e essa coisa de pessoas saindo da tela me deixa muitíssimo irritada), mas, ainda que na tela padrão, a imagem do filme é impecável. As cenas são muito bem distribuídas e o enquadramento é digno de filme de catástrofe intergaláctica, para uma pessoa com déficit de atenção é bem difícil manter o foco no centro da tela enquanto duzentos outros mundos existem nas laterais. Bay é mestre no que faz, e durante todo o filme fez o que sabe fazer de melhor: explodir coisas.

As cenas de destruição da gigante Chicago são mais um ponto forte na película – nada de se preocupar em ser modesto, e “educado”. Se é pra destruir, destruíremos de verdade. A cidade vira uma zona de guerra sem espaço pra dúvida, proporcionando saltos incríveis para o maratonista profissional (aham) Sam Witwicky – e como se esquiva bem, esse mensageiro… – por isso e muito mais o filme tem visual arrebatador. A trilha sonora não deixa a desejar, e o rock de primeira (ou quase sempre de primeira) faz o filme ainda mais bacana, e mais uma vez a parceria com o som desconstrutivista do Linkin Park é ultra feliz.

Para os apaixonados por carros (falo por mim) o filme é um prato cheio. Além dos já tradicionais Autobots, tivemos a adição de uma Ferrari 458 Itália, impecável e maravilhosa durante todo o filme – personagem que recebeu o nome de Dino e carregado no sotaque italiano, me garantiu algumas risadas. Também aparecem mais Decepticons, e Soundwave ganha a forma de uma Mercedes SLS AMG. Ô carrinho bão, sô… Alguns carros da Nascar também tiveram uma participação especial, e bem robusta na trama. Agora, falando de carros de verdade, os clássicos marcaram presença e presença respeitosa. Dylan Gould é o boss da namorada de Sam, colecionador e restaurador inveterado de carros antigos e clássicos. As – poucas – cenas dentro do museu de Gould (foram gravadas no Museu de Arte Milwaukee, próximo ao lago Michigan) são inacreditáveis e de tirar o fôlego dos apaixonados pelas antiguidades. A coleção extensa inclui um Delahaye e a incrível Bugatti Van Vooren Cabriolet, que está entre as coisas mais lindas desse mundo, e mais uma dúzia de carangos que passam como pano de fundo. Tem também lugar pros muscles, mais americanos impossível, durante toda a trama, é claro.

E a partir daqui entro com a parte que me desagradou, e começo com a mais egoísta de todas: estou revoltada mais uma vez com a direção machista de Michael Bay. É evidente que o filme é exclusivamente produzido para seres do sexo macho sem cérebro. A primeira cena de fato do filme, mostra uma Carly (aquela modela da Victoria`s Secret) seminua. Ok, ok, foi assim com Megan Fox, e imaginei que seria da mesma forma – 1 por ser Bay, 2 porque a menina maravilhosa, é verdade, nem atriz é! – mas nem assim consegui conter a revolta. Enquanto Gould mostra sua cabriolé divina, o take rapidamente foge da fantástica lataria da Bugatti pra achar o vestido branco – e justo – da britânica (aliás, não sei se proposital, mas o sotaque inglês da moça tava fortíssimo!). Pootz, eu sei que homem gosta é de ver mulher, mas divide esse tempo aí, né colega? OLHA O CARRO QUE O DEMPSEY TÁ MOSTRANDO, MEU ZEUS! Absurdo. Absurdo. Até aqui, a coisa é mesmo pessoal, duvido que qualquer homem que leia esse texto irá concordar.

Mas a coisa piora meu povo. Piora muito.

O filme é de uma mentirada absurda: a gente sabe que robôs não se transformam em carros, e que não existe nada capaz de esmagar um prédio cortando-o ao meio, mas, dentro de mitologia Cybertron, tudo tem uma explicação.

Minha gente… Se for pra mentir, vamos mentir com dignidade, ok?

Sam, sua namorada e a trupe de soldados desertores chacoalham por horas dentro de um prédio em ruínas (Com gente trabalhando em meio a uma guerra alienígena, Brasil! Tinha neguinho na lavanderia com robôs gigantescos destruindo a cidade!!), escorregam por andares e mais andares do lado de fora do edifício, corre por quarteirões e mais quarteirões devastados com pedregulhos e fuligem por toda a parte, dá um belo de um esporro em Megatron, e na ultima cena enquanto Sam e os soldados aparecem mancando, imundos e desgrenhados, a bonita surge com todos os cachos perfeitos e intocados, sua jaqueta branca (oi?) brilhando de tão alva, e seus saltos Louboutin reluzentes e EXISTENTES, o que é mais incrível. Amigos, ou ela colou aquela porcaria com super bonder, a cola que não desgruda jamais, ou posso garantir-lhes que sapato algum nesse mundo resistiria a tantas intempéries. E o casaco, creyonças? Vanish ou Omo?

Não, companheiros, não é despeito. A mulher é maravilhosa, de verdade. A birra aqui é com a direção, que a própria Megan espinafrou no começo do ano dizendo que Bay só se importava em “mostrar pernas e boca de jovens mulheres em seus filmes”. Sou fã de cinema, sem preconceito com qualquer segmento, desde que o filme seja bem feito dentro de seu nicho, e esse tipo de direção me ofende porque “apesar” de gostar de filmes de ação, de desenhos, de quadrinhos, e principalmente de carros, eu gosto é de homem e nem por isso estou aqui pedindo um Coronel Lennox musculoso e desprovido de roupa na telona, só clamo por um pouco mais de equilíbrio entre “cabeças”, se bem me entendem.

É Megan cuspindo no prato que comeu, e Rosie servindo para o deleite da macharada mais uma vez. Uma pena que o filme tenha de ser produzido exclusivamente para o público masculino, como se apenas homens pudessem gostar de bons carros, boa música e um pouco de explosão. Uma grandessíssima lástima.

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